
Domingo de Sol, Rio de Janeiro, multidões caminhando nas ruas, meia maratona internacional bombando, praias lotadas... nada de anormal, certo? Todos estamos acostumados com essa situação que descrevi. Porém, a história que vou contar a seguir, acreditem caros leitores, foi baseada em fatos reais.
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Este era o final de semana que eu passei com meu pai, então nós resolvemos fazer algo diferente. Decidimos que iríamos pedalar no aterro do flamengo. Estava tudo maravilhoso, pedalar no meio daquelas árvores, gente bonita, música boa... uma delícia. Porém a medida que eu ia pedalando para o meu destino final meu corpo começou a gelar e eu senti como se um tijolo tivesse despencado no meu estômago. Eu lembrei para onde estava indo. Vivo Rio. Ok, o lugar onde eu passeis os melhores momentos da minha vida, emocionante. Porém meu cérebro começou a juntar as peças tarde demais. *Fragmentos de conversas com colegas da escola passaram por minha cabeça: ''[...]Domingo eu vou lá no Vivo Rio, Aterro do flamengo assistir o show mais esperado do ano, nem acredito que vou ver o...[...]'' * Restart. Ah meu Deus, não era possível, simplesmente aquilo não poderia estar acontecendo. Não comigo, que, como já deixei claro em um post anterior, odeio Restart ( respeitando quem gosta, cada um tem seu gosto). Poderia estar acontecendo com qualquer um, menos com aquela garota que encontrava-se em estado de pânico absoluto, perdendo o controle da bicicleta que ia em direção ao um Vivo Rio... que parecia a visão do inferno. Quando eu digo ''visão do inferno'' não é uma hipérbole, muito menos uma ironia. Eu achei que eu estivesse caído em um mundo alienígena, cercado de mutantes obscuros, seres sinistros da escuridão, monstros caolhos e todo o tipo de criatura do mal. E eu me sentia uma Alice ( a do país das maravilhas er). Frágil, apavorada e confusa. Ok, para você tentar entender o quanto a cena que presenciei hoje me assustou, vou tentar descrevê-la da melhor forma possível. Imagine-se em meu lugar:
Você está em uma adorável tarde andando de bicicleta quando você vira a curva e depara-se com uma multidão de garotas de 12, 13 anos com calças incrivelmente apertadas e tão coloridas que chegava a doer os olhos ( observe atentamente a foto acima). Era uma indecência, uma tristezza sem fim. A maioria usava tênis de cores neon (dica: não usa NUNCA um tênis neon, se você não quiser parecer que enfiou o pé em um repolho), e óculos sem lente. É isso aí mesmo, você leu certo. Até hoje eu estou tentando achar uma resposta coerente para explicar QUAL a finalidade de um óculos sem lente. Enfim, eu caí da bicicleta em cima de um turista jamaicano que usava um chapéu de palha maior que o tronco, de tão abismada que eu fiquei. Sinceramente, se fossem pessoas DECENTES, que usassem roupas DECENTES, tivessem músicas DECENTES e tivesse algum talento DECENTE eu até entendia. Tipo, poderia aparecer pessoas vestidas de verruga, sei lá, eu entenderia. Agora é simplesmente inacreditável o que as atuais adolescentes brasileiras andam idolatrando por ai. Pelo amor de Deus, gente. Tá na hora de tirar o coco da cabeça, sei lá, enfia a cabeça em um penico da Casa & Video, mas não me venha com ídolos do nível Restart. É doentio.
Bem, como ia dizendo, eu fiquei em estado de choque absoluto, não flexionava meu joelho , sem exagero. Uma coisa é ver aquele pessoal na Tv, ou em vídeos do YouTube ( alguém se lembra do: ''Isso é uma p*ta falta de sacanági, vô xinga muito hoje no tuíterr''? Pois é). Outra coisa é ver ao vivo e em cores, bem na sua frente. E o pior é que ainda tinha vãs com turistas circulando ali perto. Imagina o que vão pensar do Brasil? Reflitam.
Em meio a vendedores com cabelos descoloridos vendendo camisas do Restart cor de marca texto, me recompus e subi na bicicleta novamente, evitando olhar para os lados. Eu não tinha dado nem dez pedaladas quando a cena mais sinistra da minha vida começou a se desenrolar. Bem na minha frente.
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Uma vã cafona, cheia de palmeiras e tudo mais, dobrou a esquina e começou a chegar lentamente pela rua. Até ai tudo bem, eu parei esperando a vã passar para eu poder atravessar e ir embora daquele lugar cocozento o mais rápido possível. Mas então, a vã parou. Exatamente na minha frente a uns 10 metros de distância. E ela parecia que não ia sair tão cedo dali. Então eu, como qualquer mortal faria, fui guiando minha bicicleta até o outro lado da rua, passando em frente a vã. E foi a pior ideia que eu pude ter em minha vida. Porque no exato momento em que eu estava botando o pé fora da calçada, para atravessar a rua, uma multidão de fãs enlouquecidos surgiu pela esquerda. Mais foi tipo, filme de terror sabe? Parece que tudo ficou em câmera lenta e eu de fato pensei que fosse ter a morte mais patética da história da humanidade, então eu subi na bicicleta o mais rápido possível e saí correndo. Mas então todas aquelas pessoas vieram atrás de mim e eu já estava quase chorando, perguntando o que eu tinha feito para aquelas fãs, que pareciam recém saidas de algum manicômio, estarem atrás de mim. Foi ai que eu percebi que elas não estavam atrás de mim e sim, da vã que andava ao meu lado. E lá dentro estava ninguém menos, ninguém mais, do que o próprio Restart. Sim, eu não sei o que eu fiz pra merecer isso, mas eu de fato estava na situação mais maldita de toda a minha vida. Alguém lá em cima não vai com a minha cara. Sério, eu sou boa aluna, boa filha, não me meto em brigas, sou praticamente uma santa (er), não sei porquê aquilo estava acontecendo justo comigo, que sempre nutri um ódio profundo por Restart. E naquele momento estava sendo perseguida por eles e suas fãs que pareciam ser decententes de Umpa-Lumpas. Então quando o desespero tomou conta de mim, e eu estava lutando pra sair do meio daquela confusão, uma situação MAIS bizarra ainda aconteceu. Senhoras e senhores, meninos e meninas, tios, tias, primos, primas, irmãos e irmãs: no meio de uma rua paralela a Infante Dom Henrique, estavam dezenas de fãs sentados. No meio do asfalto. Eles estavam sendo liderados por um garoto que devia ter a minha idade, e estava usando rosa fluorescente ( não, isso não é uma piadinha do malandro) com um boné azul, ele gritava coisas do tipo ''Vamu lá família RESTARRTÊÊÊ, não vamu deixa eles passarem não, vamu senta nú chão.'' Juro. Juro de verdade. Eu, Anna Rizzo Miceli, que escutei Beatles a vida inteira, estava realmente presenciando aquela cena. Era definitivamente alguma maldição. Eu entrei em desespero completo, sério, foi muito assustador. Eu tinha fãs de Restart descontrolados atrás de mim, os integrantes do grupo Restart em uma vã ao meu lado, e mais fãs despirocados de Restart sentados. Literalmente no meio da rua. Eu me sentia em um pesadelo que parecia não ter fim, com aquele aglomerado absurdo de pessoas gritando coisas do gênero 'Pe LANZAAA EU TE AMO MEU AMOR.'' Sim, ''Pe Lanza'' ._. E para meu terror, muitos começaram a cantar. Eu não estou de brincadeira, eles foram capazes de fazer isso. Parecia que eu estava em algum tipo de procissão macabra, onde no final eles iam me crucificar, sei lá, qualquer um teria se cagado no meu lugar. No final das contas, eu consegui sair daquela loucura. Uns funcionários do Vivo Rio me ajudaram e tudo mais. Foi tenso. Agora, eu gostaria de passar uma mensagem para os fãs de Restart: Quer ser fã? Tudo bem, gosto é que nem c* cada um tem o seu., mas vai primeiro aprender a se comportar como GENTE e não como animal. Vai ler um livro sei lá, descontar frustração usando roupas coloridas e correndo atrás de garotos que parecem caroços de manga chupados não é bacana, definitivamente.
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A partir desse dia, eu fiquei mais traumatizada em relação a Restart. Mais do que eu já era. Sério, você não gostaria de estar no meu lugar. Não mesmo.
xxx
"I wann break all the madness, but it's all i have.'' ( Who I am - Nick Jonas and The Administration)
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